Novelas venezuelanas acabaram por causa de Hugo Chávez? Entenda o que aconteceu

 "Kassandra" foi uma das novelas venezuelanas de grande sucesso em vários países; no Brasil foi exibida pelo SBT

Foto: Reprodução

Houve um tempo em que as novelas venezuelanas disputavam o mercado latino-americano e mundial na comercialização de direitos de exibição fora da Venezuela. Grandes histórias como “Kassandra”, “Por Essas Ruas”, “Abigail” e “As Amazonas” marcaram a teledramaturgia do Mundo Latino.

Em seu auge, a indústria de teledramaturgia da Venezuela liderada pela antiga RCTV (da Rádio Caracas Televisión), chegou a produzir até 12 novelas durante o ano. As novelas venezuelanas conquistaram mercados internacionais entre 1960 até o final da década de 1990, mas começou a enfraquecer no final dos anos 90, piorando quando a concessão do principal canal de televisão do país deixou de ser renovada.

Foto: Twitter

Muita gente questiona se as novelas venezuelanas acabaram por causa de Hugo Chávez que governou a Venezuela de 1999 até sua morte, em 2013. Alguns autores colocam a queda do império das telenovelas da Venezuela na conta do ex-presidente que era constantemente criticado pela RCTV, a emissora mais importante do país e responsável por produzir os maiores títulos da teledramaturgia nacional.

Conforme noticiário da época, ainda no ar, a emissora diminuiu o ritmo da produção de novelas, bem antes da crise econômica que assola a Venezuela. Para alguns críticos especializados em televisão, como o jornalista Antonio Marques, que escreve sobre famosos e TV desde 1990 e assina colunas em vários portais e jornais, as grandes produções teriam continuado se a principal emissora tivesse sua concessão renovada.

“Impossível deixar de lado o legado das grandes produções e excelentes histórias contadas pelas novelas venezuelanas, que cativaram inclusive o público brasileiro, como foi o caso de Kassandra. Se a RCTV continuasse no ar, grandes novelas estariam sendo produzidas até hoje, mas claro, não seria como naquela época porque vivemos uma outra realidade”, disse Antonio Marques.

Apoio ao golpe

Conforme informações publicadas na época, a RCTV não teve sua concessão renovada pelo então presidente Hugo Chávez, porque segundo ele, teria apoiado o Golpe de Estado de 2002. A emissora era dona da maior audiência na Venezuela, com cerca de 10 milhões de venezuelanos assistindo a sua programação (45% de "share"). Hoje, o espaço que era ocupado pela emissora, transmite a estatal TVes.

A RCTV foi fundada no dia 14 de novembro de 1953 pelo empresário Wiliam H. Phelps, com a concessão para a TV aberta assinada pelo então presidente Jaime Lusinchi em 27 de maio de 1987 com um prazo de 20 anos.

Em seu último dia no ar, em 27 de maio de 2007, a RCTV exibiu um especial de 24 horas sem intervalos chamado: "Um Amigo é para sempre" mostrando o vídeo promocional da emissora “Um coração que grita”. Após sair do ar definitivamente, seus estúdios foram totalmente ocupados por militares.

 

O fenômeno “Kassandra”

 

A novela venezuelana “Kassandra” foi um fenômeno de audiência dentro e fora do país. Foi exibida originalmente entre 8 de outubro de 1992 a 11 de maio de 1993, com duração de 150 capítulos. Foi escrita pela autora cubana Delia Fiallo, responsável também por grandes sucessos das novelas mexicanas. A trama foi dirigida por Grazio D'Angelo e Olegário Barrera.

O elenco da novela “Kassandra” teve nomes importantes da teledramaturgia. Foi protagonizada por Coraima Torres e Osvaldo Ríos, e antagonizada por Henry Soto, Nury Flores e Loly Sánchez.

No Brasil também fez muito sucesso no SBT, registrando uma audiência satisfatória de 8.17 pontos de média geral. A emissora de Silvio Santos exibiu a novela “Kassandra” entre 5 de janeiro e 14 de julho de 2000, somando 138 capítulos, inaugurando a faixa Tarde de Amor.

Postagem Anterior Próxima Postagem