Retornos de Crô e Téo Pereira agitam a reta final de Três Graças

Participações especiais apostam na nostalgia para intensificar conflitos e impulsionar a audiência

A novela Três Graças investe na memória afetiva do público para movimentar sua fase decisiva. A trama prepara a entrada de dois personagens consagrados da teledramaturgia: Crô, interpretado por Marcelo Serrado, e Téo Pereira, vivido por Paulo Betti. As participações especiais fazem parte de uma estratégia clara para acelerar conflitos e aumentar o engajamento nos capítulos finais.

Marcelo Serrado volta a dar vida a Crô, mordomo que marcou época em Fina Estampa. O personagem retorna mantendo os traços que o tornaram popular, como o humor ácido, os comentários irônicos e a postura expansiva. Em Três Graças, Crô surge ligado ao núcleo de Josefa, personagem de Arlete Salles, e se envolve diretamente em situações que colocam Arminda, vivida por Grazi Massafera, no centro de embates verbais e disputas de poder.

A participação de Crô será curta, porém planejada para causar impacto imediato. A estreia do personagem está prevista para o capítulo 88, com exibição marcada para 29 de janeiro. A proposta é utilizar um personagem já consolidado junto ao público para criar tensão dramática, dinamizar a narrativa e ativar lembranças de tramas anteriores da emissora.

Na sequência, a novela promove a chegada de outro nome emblemático. Téo Pereira, jornalista interpretado por Paulo Betti em Império, passa a integrar o núcleo central da história. Em Três Graças, ele aparece investigando Ferette, empresário poderoso vivido por Murilo Benício, apontado como o principal vilão da trama.

As cenas com Téo estão previstas para a semana do carnaval. Durante a investigação, o jornalista se encontra com Zendilda, personagem de Andréia Horta, que confirma a traição de Ferette com Arminda. A revelação ameaça a imagem pública do empresário e funciona como gatilho para uma crise interna no enredo.

Fiel ao seu perfil vaidoso e provocador, Téo se prepara para tornar a informação pública. Ferette tenta impedir a divulgação, oferece dinheiro para comprar o silêncio do jornalista, mas recebe uma recusa direta. A tensão cresce quando o empresário encerra a entrevista de forma abrupta e expulsa o repórter de seu escritório.

Nos bastidores da história, Macedo, interpretado por Rodrigo García, chega a sugerir medidas mais extremas para silenciar Téo. Ferette, no entanto, recua, temendo que Zendilda utilize a situação para virar o jogo contra ele. A entrada do jornalista se consolida como um elemento central de instabilidade política e moral na narrativa.

Autor de Três Graças, Aguinaldo Silva tem explorado a nostalgia como recurso narrativo. A estratégia vai além do retorno de personagens conhecidos e inclui referências diretas a momentos clássicos da teledramaturgia da Globo.

Um exemplo ocorreu no capítulo exibido em 22 de dezembro, quando Gerluce, personagem de Sophie Charlotte, aparece comendo pão e se assusta ao ver Lígia, vivida por Dira Paes, levantar a mão em sua direção. A cena faz referência a um momento icônico de Ti Ti Ti, que se tornou meme nas redes sociais e rapidamente repercutiu entre os telespectadores.

Especialistas destacam que a circulação de personagens entre diferentes universos narrativos é uma estratégia antiga, mas que ganhou força com as redes sociais. O consultor e doutor em Teledramaturgia Mauro Alencar explica que esse recurso estimula repercussão e diálogo direto com o público, prática já utilizada desde produções como Beto Rockfeller, marco da modernização da telenovela brasileira.

A aposta em cruzamentos de personagens, aliada à presença de atores veteranos e nomes populares, busca ampliar a repercussão de Três Graças e reacender o interesse do público pelo gênero em um cenário de disputa acirrada por audiência.

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