A Venezuela vive um momento de crise política e institucional sem precedentes após uma operação militar dos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação, autorizada pelo presidente norte-americano Donald Trump, envolveu forças especiais e unidades de elite em uma ofensiva em Caracas e região, e culminou com a retirada de Maduro do país e sua condução sob custódia dos Estados Unidos para enfrentar acusações federais de narcotráfico e terrorismo.
De acordo com relatos oficiais de Washington, a operação, denominada “Operation Absolute Resolve”, foi planejada ao longo de meses e mobilizou centenas de militares, agentes de inteligência e apoio logístico, conseguindo neutralizar as defesas venezuelanas e capturar Maduro em seu complexo residencial. Trump declarou que as forças americanas “administrarão” a Venezuela até que uma transição política considerada segura possa ocorrer, afirmando que o controle temporário do país é necessário para evitar o retorno ao que classificou como um regime autoritário e de narcotráfico.
A ação foi acompanhada de confrontos que deixaram dezenas de mortos. Autoridades venezuelanas e cubanas relataram que pelo menos 24 integrantes das forças de segurança venezuelanas e mais de 30 militares cubanos foram mortos durante os ataques aéreos e terrestres que precederam a captura de Maduro, além de civis que também teriam perdido a vida nos combates. O governo de Caracas declarou um período de luto nacional de sete dias em homenagem aos mortos.
Após a operação, Maduro foi transferido para Nova York, onde apareceu escoltado por agentes das agências federais dos Estados Unidos e deve responder às acusações que o governo norte-americano apresentou, incluindo crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas. A detenção do ex-presidente venezuelano em solo norte-americano marcou um ponto de ruptura nas relações bilaterais e intensificou as tensões diplomáticas com países aliados de Caracas.
Internamente, a ordem política na Venezuela entrou em colapso parcial. A vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como líder interina e rejeitou as alegações de controle externo, afirmando que as autoridades venezuelanas continuam no comando dos assuntos nacionais. Apesar disso, o ambiente político permanece volátil, com o governo interino enfrentando desafios para manter coesão e legitimidade enquanto lida com pressões internas e externas.
A presença de milícias armadas conhecidas como “colectivos” tornou-se mais visível nas ruas de Caracas após a operação, em um esforço do governo interino para manter a ordem e inibir manifestações pró-intervenção dos Estados Unidos, criando um clima de medo e tensão nas áreas urbanas. Relatos de patrulhas, checkpoints e controles de comunicação reforçam a sensação de um país em situação de emergência.
No plano internacional, a operação desencadeou reações divergentes. Enquanto alguns países e líderes ocidentais manifestaram apoio à captura de Maduro como um possível passo em direção à responsabilização por supostos crimes transnacionais e à restauração de processos democráticos, outros governos condenaram a intervenção como uma violação da soberania venezuelana e do direito internacional. Autoridades regionais expressaram preocupação com o precedente estabelecido pela ação militar unilateral, alertando para riscos de instabilidade na América Latina.
A dimensão econômica da crise também ganhou destaque. O presidente Trump anunciou que os Estados Unidos estão negociando a aquisição de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, sob supervisão norte-americana, com o objetivo de reforçar a oferta energética e integrar a Venezuela aos mercados globais sob nova gestão. A promessa de participação de empresas petrolíferas dos Estados Unidos na reconstrução da indústria energética venezuelana indica uma mudança estratégica nas relações econômicas entre os dois países, embora levante questões sobre o controle dos vastos recursos naturais venezuelanos e os benefícios reais para a população local.
Especialistas em direito internacional e diplomacia manifestaram preocupações sobre o impacto da operação na ordem jurídica global. A captura de um chefe de Estado soberano por forças estrangeiras sem mandato de organismos multilaterais suscita debates sobre a legitimidade de ações unilaterais e os limites do uso da força no direito internacional, especialmente no contexto de acusações que não foram objeto de processos judiciais previamente reconhecidos por instâncias internacionais.
A população venezuelana, por sua vez, enfrenta um futuro incerto. Enquanto alguns setores comemoram a queda de Maduro e a possibilidade de uma nova fase política, outros temem que a intervenção estrangeira aprofunde as divisões internas e prolongue a instabilidade. A economia do país, já fragilizada antes da operação militar, pode sofrer impactos adicionais com a reorganização do setor petrolífero e a pressão por reformas estruturais em meio a um ambiente político ainda instável.
O evento de 3 de janeiro e seus desdobramentos consolidam um dos momentos mais dramáticos na história recente da Venezuela, com implicações profundas para a política regional, a geopolítica das Américas e as normas que regem as relações internacionais no século XXI.
