Will Bank: Funcionários enfrentam incerteza sobre salários e rescisões após liquidação

Após a liquidação do Will Bank, mais de 1.000 funcionários permanecem em situação de grande incerteza, sem informações claras sobre salários, benefícios e verbas rescisórias. Muitos empregados não sabem se receberão o vale-refeição, vale-alimentação ou o salário de fevereiro, enquanto buscam recolocação no mercado de trabalho.

Parte dos funcionários já participa de processos seletivos ou recebeu novas propostas de emprego, mas não consegue estabelecer datas de início, já que o encerramento oficial dos contratos ainda não foi definido. Alguns relatos apontam que gerentes chegaram a emprestar recursos a colegas que tinham depósitos no próprio Will Bank, bloqueados após a liquidação. Trabalhadores em licença-maternidade também enfrentam dúvidas sobre manutenção de benefícios.

Desde o anúncio da liquidação, a comunicação formal interna foi interrompida, e funcionários dependem de grupos de WhatsApp para informações. Nas redes sociais, muitos lamentam o fim do banco, destacando que o Will Bank oferecia aprendizado, cultura forte e equipes engajadas, o que intensifica o impacto da liquidação.

Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank tinha como objetivo ampliar a inclusão financeira, oferecendo cartões de crédito sem anuidade a clientes fora do sistema bancário tradicional. Com forte atuação digital e marketing em TV e redes sociais, o banco chegou a 9 milhões de clientes, principalmente no Nordeste, antes de ser colocado sob administração especial temporária e ter sua liquidação decretada pelo Banco Central.

A liquidação ocorre quando o BC considera que a instituição financeira é irrecuperável, interrompendo suas operações e retirando-a do sistema financeiro nacional. O banco deixou de honrar pagamentos na cadeia de cartões de crédito, incluindo a bandeira Mastercard, e, segundo o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), deverá reembolsar aproximadamente R$ 6,3 bilhões aos clientes.

Direitos trabalhistas e situação dos contratos

Segundo a advogada trabalhista Elisa Alonso, em liquidações extrajudiciais, créditos trabalhistas têm prioridade legal, abrangendo salários, férias, 13º salário e verbas rescisórias. A legislação brasileira considera esses valores essenciais à subsistência dos trabalhadores, garantindo que sejam pagos antes de outros credores.

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região monitora o caso para assegurar que os direitos dos funcionários do Will Bank sejam respeitados, mantendo contato com a equipe do liquidante nomeada pelo Banco Central. O sindicato reforça que todas as verbas rescisórias e direitos previstos na convenção coletiva devem ser preservados durante o processo.

A rescisão contratual não ocorre automaticamente com a liquidação. De acordo com a advogada Lorena Paiva, a demissão deve ser formalizada como sem justa causa, e o liquidante pode manter alguns funcionários temporariamente para auxiliar no fechamento da empresa.

Os empregados dispensados têm direito a todas as verbas rescisórias, devendo aguardar o andamento da liquidação extrajudicial para recebimento. Não há prazo legal fixo, pois o processo exige etapas formais, como verificação de créditos, habilitação dos credores e disponibilização de ativos.

Os trabalhadores devem se habilitar formalmente como credores, apresentando documentação que comprove vínculo e valores devidos. Em caso de divergências, é possível recorrer à Justiça do Trabalho, garantindo a habilitação dos valores no processo de liquidação.

É recomendado que os funcionários preservem provas do vínculo empregatício e das condições de trabalho, caso seja necessário acionar a justiça para garantir o recebimento das verbas. Mesmo em empresas com dificuldades financeiras, os direitos trabalhistas permanecem prioritários, podendo ser cobrados judicialmente em caso de atraso.

O fim do Will Bank, que tinha forte atuação digital e foco em inclusão financeira, deixa um cenário de incerteza e preocupação para os funcionários, reforçando a necessidade de acompanhamento legal e sindical para assegurar o cumprimento integral de seus direitos.

Postagem Anterior Próxima Postagem