Pesquisas divulgadas às vésperas da votação indicam que André Ventura, candidato da extrema direita e líder do partido Chega, aparece na liderança do primeiro turno das eleições presidenciais em Portugal, marcado para este domingo (18). Apesar da vantagem inicial, os levantamentos apontam baixa probabilidade de vitória no segundo turno, previsto para 8 de fevereiro.
De acordo com institutos de pesquisa, Ventura concentra o maior percentual de intenções de voto entre os 11 candidatos que disputam o cargo, mas enfrenta resistência elevada do eleitorado e um cenário de convergência das forças políticas tradicionais contra sua candidatura na etapa decisiva.
Disputa pelo segundo turno permanece indefinida
As pesquisas divergem sobre quem deverá enfrentar André Ventura no segundo turno. Parte dos levantamentos aponta o socialista António José Seguro como principal adversário, enquanto outros indicam Luís Marques Mendes, nome do campo conservador e apoiado pelo governo do primeiro-ministro Luís Montenegro.
Também figuram entre os concorrentes com potencial de crescimento o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, ex-coordenador da campanha de vacinação contra a Covid-19, e o eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo, que perdeu fôlego após controvérsias envolvendo sua campanha.
Chega consolida crescimento eleitoral
A liderança de Ventura no primeiro turno reforça a ascensão rápida do Chega, fundado em 2019. Nas eleições legislativas realizadas em maio de 2025, o partido obteve 22,8% dos votos e conquistou 60 cadeiras no Parlamento, superando o Partido Socialista e tornando-se a maior força de oposição em Portugal.
Analistas avaliam que, mesmo sem vitória final, um desempenho expressivo no segundo turno tende a normalizar a presença da extrema direita no cenário político português, seguindo tendência observada em outros países europeus.
Impacto político e papel do presidente
Em Portugal, o presidente da República exerce funções majoritariamente institucionais e simbólicas, mas possui poderes relevantes, como a possibilidade de dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas em situações excepcionais. Um fortalecimento da extrema direita pode aumentar a pressão sobre o governo minoritário de Luís Montenegro, que depende do apoio do Chega para aprovar parte de sua agenda legislativa.
Eleição considerada aberta
Autoridades e especialistas classificam o pleito como imprevisível, especialmente em relação ao segundo turno. A campanha entra na reta final em meio a um cenário de fragmentação política, crescimento da polarização ideológica e desgaste dos partidos tradicionais.
A votação deste domingo será decisiva para definir os rumos da disputa presidencial e medir o alcance eleitoral da extrema direita em Portugal.
