No mês das Mães, a trajetória de Palloma Freitas, CEO e fundadora da TROKZ, amplia o debate sobre empreendedorismo feminino ao mostrar como mulheres líderes vêm criando modelos de negócio voltados à eficiência empresarial, inteligência comercial e uso estratégico de ativos ociosos
São Paulo, maio de 2026 — O mês das Mães costuma ampliar o debate sobre a presença feminina na sociedade, mas, no ambiente de negócios, a pauta ganha relevância quando deixa o campo simbólico e passa a discutir liderança, inovação e criação de novos modelos de eficiência empresarial. Em um mercado pressionado por custos, estoques parados, capacidade ociosa e necessidade de melhor uso dos recursos disponíveis, empreendedoras brasileiras têm assumido papel estratégico na construção de soluções voltadas à produtividade e à geração de novos negócios.
O movimento ocorre em um cenário de avanço, mas ainda com assimetrias importantes. Segundo levantamento do Sebrae, o Brasil chegou a 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, maior patamar da série histórica, mas elas ainda representam 34,3% dos donos de negócios no país. O mesmo estudo aponta que, embora as mulheres sejam 51,8% da população em idade ativa, a taxa de empreendedorismo feminina é de 11,5%, menos da metade da observada entre os homens. Já no ambiente corporativo, o relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton, mostra que mulheres ocupam 36,7% dos cargos de liderança em empresas de médio porte no Brasil, percentual acima da média global de 34%, mas ainda distante da paridade.
É nesse contexto que se insere a trajetória de Palloma Freitas, CEO e fundadora da TROKZ. A executiva identificou uma ineficiência recorrente no mercado: empresas com produtos parados, serviços disponíveis, capacidade produtiva ociosa e oportunidades comerciais não realizadas por falta de uma estrutura capaz de organizar essas possibilidades em transações entre empresas. A percepção deu origem a um modelo que transforma ativos disponíveis em oportunidade dentro de uma rede de negócios.
A TROKZ atua como um Banco de Permutas corporativas, conectando empresas associadas por meio de permutas estruturadas registradas em moeda KZ. Na prática, o sistema permite que uma empresa disponibilize produtos, serviços ou capacidade ociosa dentro da rede e utilize a moeda KZ em novas transações com outras empresas associadas, sem depender exclusivamente de desembolso imediato em caixa. O modelo busca dar mais estrutura, registro e inteligência comercial a negociações que, em muitos casos, deixariam de acontecer por falta de conexão entre oferta, demanda e planejamento.
Atualmente, a TROKZ reúne 4.872 associados e movimenta, em média, R$ 800 mil por mês em transações registradas na plataforma. Minas Gerais é o maior polo da empresa, com forte aderência em segmentos como Hotelaria, Moda, Contabilidade, Advocacia, Turismo e Restaurantes. A operação conta ainda com consultores que auxiliam as empresas a identificar oportunidades de permuta dentro da rede, ampliando a capacidade de transformar ativos ociosos em novos negócios.
Para Palloma Freitas, a discussão sobre liderança feminina precisa avançar para além da presença de mulheres em posições de comando. “O problema de muitas empresas não está na falta de produto, serviço ou capacidade de entrega. Está na ausência de estrutura para transformar esses ativos disponíveis em oportunidades reais de negócio. A capacidade ociosa sempre existiu; o que muda é a forma como ela passa a ser organizada, registrada e convertida em eficiência dentro de uma rede empresarial”, afirma a CEO e fundadora da TROKZ.
A pauta também reflete uma mudança de leitura sobre empreendedorismo feminino no Brasil. Mais do que destacar histórias individuais, o mercado começa a observar como lideranças femininas vêm criando respostas práticas para problemas estruturais das empresas, como capital imobilizado, baixa circulação de estoque, subutilização de serviços e dependência excessiva de caixa imediato para crescimento. Nesse sentido, modelos como o da TROKZ apontam para uma agenda de inovação menos centrada apenas em tecnologia e mais conectada à capacidade de reorganizar recursos já existentes nas empresas.
