Quantos seguidores no TikTok são necessários para ganhar um salário mínimo em 2026

A ideia de ganhar dinheiro fácil com vídeos no TikTok, exibindo viagens e uma vida confortável, não reflete a realidade da maioria dos criadores. Transformar a produção de conteúdo em renda mensal equivalente a um salário mínimo exige muito mais do que apenas acumular seguidores — depende, sobretudo, de visualizações constantes, engajamento real e estratégia de monetização.

Atualmente, o TikTok conta com o Fundo do Criador, programa que remunera produtores de conteúdo com base no desempenho dos vídeos. Para participar, é necessário ter pelo menos 10 mil seguidores, alcançar 100 mil visualizações nos últimos 30 dias, ser maior de idade e seguir as regras da plataforma. Ainda assim, os valores pagos são baixos: variam entre US$ 0,02 e US$ 0,04 por mil visualizações.

Visualizações importam mais do que seguidores

Considerando o salário mínimo brasileiro de R$ 1.518 em 2026 e o dólar em torno de R$ 5, seria preciso acumular entre 7,5 milhões e 15 milhões de visualizações por mês apenas para atingir esse valor via Fundo do Criador. Isso significa manter uma média diária de 250 mil a 500 mil visualizações, algo que poucos conseguem de forma contínua.

Não existe uma relação direta entre número de seguidores e alcance. O algoritmo do TikTok prioriza conteúdo que engaja, independentemente do tamanho do perfil. Contas com 100 mil seguidores podem ter vídeos com baixo desempenho, enquanto criadores menores eventualmente alcançam milhões de visualizações. Em média, perfis considerados saudáveis registram uma taxa de visualização entre 5% e 15% da base de seguidores.

Quantos seguidores seriam necessários, na prática

Fazendo uma estimativa conservadora, seria preciso ter entre 500 mil e 1 milhão de seguidores ativos e engajados para alcançar, com alguma regularidade, o volume de visualizações necessário para gerar um salário mínimo apenas com a monetização direta do TikTok. Mesmo assim, o modelo é instável, já que os pagamentos variam e as regras podem mudar a qualquer momento.

Por isso, muitos criadores recorrem a outras formas de monetização, que costumam ser mais rentáveis:

  • Parcerias com marcas, que podem render de R$ 500 a R$ 5 mil por vídeo, dependendo do nicho e do engajamento — perfis com cerca de 50 mil seguidores já conseguem fechar contratos.
  • Venda de produtos próprios ou afiliados, usando o link na bio, o que permite gerar renda recorrente. Há criadores com 20 mil seguidores fiéis que lucram mais com vendas do que com milhões de visualizações.

O tempo e o esforço para chegar lá

Alcançar os 10 mil seguidores iniciais pode levar de alguns meses a até dois anos, dependendo da consistência e da qualidade do conteúdo. Já chegar a 50 mil ou 100 mil seguidores, patamar que atrai marcas, costuma exigir publicações diárias por seis meses a um ano. Crescer até meio milhão de seguidores é algo restrito a uma pequena parcela que persiste por vários anos.

Produzir conteúdo diariamente envolve horas de trabalho, entre gravação, edição, interação com o público e acompanhamento de tendências. Durante muito tempo, o retorno financeiro é inexistente ou insuficiente para cobrir despesas básicas.

Vale a pena depender só do TikTok?

Depender exclusivamente do TikTok como fonte de renda é considerado arriscado, mesmo para criadores grandes. Mudanças no algoritmo podem reduzir drasticamente o alcance de um perfil de um dia para o outro, além de as tendências se tornarem obsoletas rapidamente.

A estratégia mais segura é usar o TikTok como vitrine, e não como produto final. Criadores que oferecem serviços, produtos físicos ou digitais conseguem gerar renda com audiências menores e mais qualificadas. Em muitos casos, 15 mil ou 20 mil seguidores bem segmentados já são suficientes para alcançar um salário mínimo mensal, sem depender das baixas remunerações por visualização.

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