A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), interrompeu as operações da instituição e trouxe impactos diretos para milhões de clientes. Com a medida, bens e recursos financeiros do banco foram congelados, e correntistas passaram a enfrentar restrições no acesso ao dinheiro.
Clientes que mantêm valores em contas digitais ou investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como CDBs, RDBs, LCIs, LCAs, LCDs e LHs, terão direito a receber até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, já incluídos os rendimentos acumulados até a data da liquidação. Valores que ultrapassem esse limite só poderão ser devolvidos caso reste capital após a venda dos ativos do banco.
Dados do Banco Central indicam que o Will Bank mantinha cerca de R$ 6,5 bilhões aplicados em CDBs no terceiro trimestre de 2025. A instituição chegou a superar a marca de 10 milhões de clientes, com foco nas classes C e D, mas perdeu usuários após a liquidação do Banco Master, seu controlador, ocorrida no fim de 2025.
Com a decretação da liquidação, o FGC é automaticamente acionado. Para receber os valores garantidos, os clientes precisam se manifestar: pessoas físicas devem fazer a solicitação pelo aplicativo do FGC, enquanto empresas utilizam o site oficial do fundo. Após o envio das informações e a assinatura digital do termo, o pagamento costuma ser feito em até dois dias úteis, embora o prazo médio para início do processo seja de cerca de 30 dias. A atualização monetária será feita pela Taxa Referencial (TR).
Durante o período, rendimentos deixam de ser contabilizados a partir da data da liquidação. O imposto devido sobre os valores pagos será descontado diretamente no repasse. O FGC também alerta que não autoriza intermediários, rejeitando qualquer cobrança de taxas ou promessas de facilitação do pagamento.
No caso de clientes com empréstimos, financiamentos ou cartão de crédito, as cobranças continuam normalmente. Parcelas de crédito consignado seguem sendo descontadas em folha, enquanto outros produtos passarão a ser cobrados por boletos ou orientações emitidas pelo liquidante nomeado, a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas. Já as chaves Pix vinculadas ao Will Bank perdem validade imediata, pois a instituição foi retirada do sistema de pagamentos instantâneos.
O Banco Central informou ainda que, ao longo do processo, o liquidante irá mapear e vender ativos do Will Bank no mercado para levantar recursos e ampliar o pagamento aos credores. A medida faz parte do esforço para reduzir perdas e encerrar de forma ordenada as atividades da instituição financeira.
