O Mercado Livre ampliou sua aposta no social commerce e passou a integrar de forma estruturada o programa de afiliados e creators à sua estratégia no Big Brother Brasil 2026. Segundo Iuri Maia, diretor de marketing da companhia, a iniciativa já mostra escala: em setembro do ano passado, as vendas por links de afiliados chegaram a 72 transações por minuto.
Em entrevista ao Marketing Trends, da EXAME, Maia explicou que 2026 marca a estreia de uma cota exclusiva para afiliados dentro do reality, somando-se às cotas tradicional (“Big”) e de supermercado. O objetivo é usar o programa como vitrine para explicar o modelo, distribuir cupons e ampliar a conversão em nível nacional.
O avanço acompanha o crescimento do canal. No terceiro trimestre, a base de afiliados cresceu 342% na comparação anual. As comissões podem alcançar 16%, variando conforme a categoria dos produtos. Embora o número total de afiliados não tenha sido divulgado, o volume de vendas indica que o modelo deixou de ser teste e passou a integrar o núcleo do negócio.
Além do impacto direto nas vendas, o executivo destaca o aumento dos pontos de contato com o consumidor, impulsionado por recomendações em redes sociais, grupos de mensagens e conteúdos em vídeo. A expansão é atribuída à combinação de amplo sortimento, logística eficiente, incentivos comerciais e ferramentas voltadas à produção de conteúdo, incluindo recursos de inteligência artificial para apoiar os afiliados.
O programa também tem se consolidado como fonte relevante de renda. Maia citou o caso de uma ex-cozinheira que hoje fatura cerca de R$ 13 mil por mês como afiliada. Para efeito de comparação, dados da FGV indicam que a renda média na creator economy gira em torno de R$ 11 mil.
No campo do branding, o Mercado Livre reforça o entretenimento como pilar central de sua comunicação, com presença em realities, futebol e música. A estratégia inclui patrocínios como Conmebol, campanhas com Neymar e Ronaldo, além da marca Mercado Livre Arena Pacaembu.
No recorte operacional, a empresa alcançou 77 milhões de usuários únicos no terceiro trimestre de 2025, alta de 26% em um ano. No BBB, outro destaque será o frete grátis a partir de R$ 19, política mantida desde 2025, além da integração com Mercado Pago e a ampliação do uso do Mercado Ads.
Para Maia, o crescimento do social commerce reflete uma mudança estrutural no consumo digital. As marcas, segundo ele, passaram a tratar afiliados como parte estratégica do negócio, ampliando conversão, recorrência e presença de marca em escala.
